Eliminar HCFC é o novo desafio da indústriaGás não destrói ozônio, mas possui elevado potencial de aquecimento global e dever ser substituído.
Segundo o consultor do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no Brasil, Ruy de Góes Leite de Barros, o Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a ONU (Organização das Nações Unidas) estão identificando as empresas elegíveis aos benefícios previstos pelo Protocolo de Montreal. Durante a Febrava 2009, o especialista disse à Revista do Frio que os recursos podem ser pleiteados pelas companhias que pretendem banir o emprego de hidrofluocarbonos de suas atividades. A seguir, techos da entrevista: Como está o plano nacional de eliminação de CFCs? Esse plano está quase concluído. Praticamente, o Brasil finalizou o consumo e a importação de clorofluorcarnobo em 2007. De lá pra cá, sobrou uma pequena parcela, destinada ao uso médico que será eliminada até 2010. Quais as próximas ações que o Brasil deverá empreender, uma vez que fazemos parte dos países do Artigo 5 do Protocolo de Montreal? O novo desafio é eliminar o consumo dos HCFCs. Esse é um plano que está sendo coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente com a participação do IBAMA. O PNUD entra como agência de implementação e, no momento, estamos fazendo o levantamento do consumo no país e identificando as empresas usuárias dessa substância. Até o final do ano, teremos um mapeamento que, se não completo, será bastante abrangente das empresas elegíveis para o auxílio financeiro por parte do Protocolo de Montreal. As empresas que usam o HCFC nos seus processos e têm de trocar máquinas, por exemplo, seriam elegíveis. Esses recursos devem ser usados na compra de novos equipamentos ou até mesmo para treinamento, caso se opte por hidrocarboneto, por exemplo. Além dos hidrocarbonetos, que outros refrigerantes podem ser empregados pelo HVAC-R? Há um leque amplo de possibilidades de utilização de outros fluidos. Dependendo da finalidade e da escala, existe um verdadeiro mix de soluções à disposição. E quanto aos prazos para a eliminação dos HCFCs? Em 2013, teremos de congelar o consumo no nível da média de 2009 e 2010. Em 2015, haverá um corte de 10% e, a cada cinco anos, ocorrerão cortes gradativos, até 2030, quando chegaremos a praticamente zero. Sobrará apenas um resíduo de 2,5% em setores que não dispõem de alternativas. Nesse sentido, gostaria de alertar as empresas quanto à necessidade de estarem prestando atenção nesses projetos de conversão, porque os recursos do Protocolo de Montreal são distribuídos a fundo perdido e, para recebê-los, os interessados devem se inscrever no PNUD ainda este ano. Qual a diferença entre a reciclagem e a regeneração de gases, medidas previstas no acordo com o Protocolo de Montreal? Reciclar é retirar e devolver o gás para o mesmo equipamento. Já a regeneração implica seu recolhimento submentendo-o a um processo no qual suas impurezas são retiradas e, nesse caso, o gás volta para o mercado com a qualidade original. Vale lembrar que o Brasil, onde o PNUD distribuiu duas mil máquinas recolhedoras, já conta com cinco centros de regeneração: dois em São Paulo, um no Rio, um no Rio Grande do Sul e outro em Pernambuco.
Fonte: Revista do Frio & Ar Condicionado, ANO XIX, nº 233, outubro/2009.
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