Mercado de aparelhos de ar condicionado residenciais crescerá 5%

Para diretor da ABRAVA, o pior da crise já passou e o setor deve se recuperar da acentuada queda do volume de TR’s instalado entre outubro de 2008 e março deste ano.

A turbulência econômica mundial atingiu em cheio o segmento de climatização doméstica. A escassez de crédito afastou os consumidores e a instabilidade do câmbio encareceu os produtos e componentes importados, ocasionando aumento de custo para as empresas.

Para enfrentar essa conjuntura, os fabricantes instalados no Brasil estão buscando reduzir as despesas e diminuir seus riscos financeiros, ao aumentar o rigor na concessão de crédito e buscar novos canais de distribuição. A constatação é do executivo Toshio Muramaki, diretor do departamento de fabricantes de ar condicionado residencial da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento).

“Desde 2005, quando houve uma entrada muito grande de produtos importados frente a uma queda nas exportações em face da valorização do real, o segmento de condicionadores de ar tem gerado um déficit na balança comercial significativo”, alerta. “Poucas são as empresas que estão mantendo volumes de exportação e, quando o fazem, é para atender, basicamente, o mercado latino-americano”, explica.

Segundo o dirigente da Abrava, o mercado de ar condicionado voltado ao segmento residencial sofreu, entre outubro de 2008 e março de 2009, uma queda (em TR’s) de 6%, se comparando ao mesmo período do ano anterior. “Esse fato gerou uma freada dos investimentos, que até então vinham num ritmo crescente na produção e no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias”, relata.

Todavia, Murakami faz coro com aqueles que acreditam que o pior da crise já está ficando para trás. A opinião do empresário se apóia nos aspectos juros, câmbio, PIB (Produto Interno Bruto) e nível de crédito.

“É claro que existem alguns indicadores preocupantes, como a balança comercial e o próprio nível de emprego, mas a expectativa é de melhora do mercado, em decorrência do verão 2009/2010, previsto para ser o mais quente dos últimos anos”, esclarece. “Isso nos faz acreditar que o mercado brasileiro de ar condicionado residencial feche o ano com um crescimento de aproximadamente 5%, afirma.

De acordo com Toshio Murakami, a queda da atividade econômica mundial fez com que as commodities, de uma forma geral, sofressem um recuo nos preços. “A volta do volume de crédito a índices pré-crise é uma das coisas que estão caminhando a contento, assim como algumas medidas adotadas pelo governo no combate à crise, como a redução de impostos no setor automotivo e da linha branca e o pacote de estímulo à construção civil”, avalia.

“Todos os países integrantes do BRIC, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, têm uma coisa em comum, que são os mercados internos. Essas nações emergentes mostraram também uma estrutura mais sólida das suas instituições financeiras”, ressalta.

Na visão do executivo, a China hoje desponta como o centro mundial da produção de equipamentos do tipo split e, mesmo com seu enorme mercado interno, tem taxas de saturação de mercado baixas, assim como Brasil e a Índia. “Essa demanda, somada ao crescimento da construção civil e ao clima mais quente, serão os responsáveis pelas taxas de expansão do segmento nesses quatro países emergentes”, prevê.

Fonte: Revista do Frio – Edição nº 231.

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